É impressionante o número de relatos de parto que uma mulher escuta quando anuncia sua gravidez. E meu Deus! Grande parte desses relatos são de partos bem traumáticos.
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Histórias de dores insuportáveis;
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Horas intermináveis de trabalho de parto;
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Falta de acolhimento da equipe hospitalar;
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Cesarianas impostas sem necessidade aparente;
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Situações traumáticas que deixam marcas por muitos anos.
Situações traumáticas que só trazem medo e insegurança para muitas gestantes. Sem contar que a cultura cesarista está fortemente enraizada no Brasil. Nós temos o “segundo maior número de cesáreas no mundo, apesar dos riscos”, diz esta manchete do Jornal da USP. (Leia na íntegra aqui)
Por isso, não é raro que algumas mulheres cheguem ao final da gravidez acreditando que um parto normal sem traumas seja algo quase impossível.
Parto Planejado, mas só pelo obstetra:
Há outra coisa que contribui bastante pra isso: são as consultas médicas. Cada consulta segue um protocolo bem construído, cujo desfecho certamente será um parto cesariano agendado. Este é a prática médica em quase todos os consultórios privados.
Na rede particular o índice de cesarianas são assustadores 82% dos partos.
Uma gestante que deseja o parto normal, precisa lutar muito por ele, apesar de toda insistência e até mesmo pressão psicológica que os médicos cesaristas fazem.
E foi essa experiência que eu tive em metade dos meus partos. E olha que eu já passei por 4. Vivi isso na pele.
“Meu último parto foi uma verdadeira aventura. Eu senti todas as emoções possíveis”.
Só pra contextualizar, eu tive 6 gestações, 4 delas foram bem sucedidas, e duas foram abortos tardios, que ocorreram entre o primeiro e o segundo filho vivo. O primeiro filho nasceu de cesariana, por livre espontânea pressão de familiares e por uma decisão mal tomada de minha parte. O segundo filho nasceu de parto normal, depois de lutar bastante contra a minha médica, que era extremamente cesarista. O terceiro filho vivo, nasceu de uma cesária de emergência por conta de um descolamento na placenta na trigésima quarta semana.
Minha Experiência com um VBAC 2 no Brasil
Por conta desse histórico, o médico quis se assegurar fazendo todos os exames possíveis. Eu nunca tinha feito tantos exames numa gravidez, foi uma loucura esses 9 meses.
Eu estava toda animada para ter mais um parto normal e super preparada pra isso.
Mas na trigésima oitava semana, ao fazer mais uma consulta, me chega a surpresa: o médico me diz sem muita conversa: “amanhã às 7H eu quero você aqui no hospital pra gente resolver a gestação”.
Meu coração disparou na hora e eu disse que eu não queria outra cesárea, mas ele argumentou que eu já tinha 2 e que nenhum médico iria se responsabilizar por um parto normal após 2 cesáreas. Resultado:
Não fui na cesariana agendada de última hora, e depois de chorar bastante (por que uma gestante chora ou fica com raiva de tudo), comecei uma nova maratona de estudos, dessa vez para aprender sobre VBAC 2.
Fui visitar 3 hospitais em Campinas, todos negaram o meu parto normal.
Eu já estava quase sem esperanças, quando me apareceu um anjo: a Tallyta, uma enfermeira obstetra renomada aqui na região e experiente em VBACs 2, 3 e até VBAC 5.
Pra resumir, a proposta dela era passar por todo trabalho de parto em casa e chegar ao hospital com o bebê quase nascendo. E assim fizemos. Foi tudo maravilhoso. E por um preço muito justo.
VBAC 2 no Brasil
Acontece que no Brasil, a indicação é para um novo parto cesáreo, após o segundo, devido ao risco de rutura uterina. Sendo que os estudos mais recentes indicam que os riscos de uma rutura uterina após 2 cesáreas é de apenas 2%, enquanto os riscos de uma terceira cesárea são assustadores. Confira este artigo.
As taxas de sucesso da VBAC 2 são de cerca de 71% e apelar para uma nova cesária não diminui o risco de uma rutura uterina durante a gestação, é o que diz este artigo da The Vbac.
Só pra se ter uma idéia de como as VBACs ainda são tabus aqui no Brasil, os estudos e artigos sobre esse tema são na sua grande maioria em língua estrangeira e pouquíssimos profissionais estão preparados pra atender um parto assim.
Ou seja: na tentativa de se evitar um trauma, cria-se outro completamente desnecessário.
Como Manter o Foco Apesar dos Possíveis Traumas?
O fato é que eu estava preparada o suficiente para passar por todas essas situações e qualquer trauma vivido durante os meus partos, foram superados no momento em que eu segurava meus bebês no colo.
Porque embora o parto seja um evento intenso e imprevisível, existem diversas formas de se preparar física e emocionalmente para viver essa experiência com mais segurança, autonomia e tranquilidade. Ter um parto normal sem traumas não significa necessariamente ter um parto sem dor ou sem desafios, mas sim passar por esse momento sendo respeitada, acolhida e protagonista das suas próprias escolhas.
E isso, minha cara, deve partir totalmente de você.
Informação é liberdade! Quanto mais você estuda, conhece seus direitos, entende os procedimentos e escolhe profissionais alinhados com seus objetivos, maiores são as chances de viver uma experiência positiva.
Talvez o seu parto não aconteça exatamente como você planejou. O meu certamente não aconteceu. Houve desafios, mudanças de rota e eu tive meu medos sim, mas nada disso foi suficiente pra parar a minha decisão. Em todas essas situações, eu procurei permanecer protagonista das minhas escolhas.
E é isso que eu quero te ensinar agora.
Preparação Emocional e Controle do Medo
Não preciso repetir aqui o que todos já ensinam sobre ter uma vida saudável. Grávida ou não, a mulher precisa cuidar do próprio corpo e da alimentação.
E isso também ajuda na preparação emocional e hormonal durante toda a gestação.
Mas o mais importante durante a gestação é manter uma rotina leve, sem estresse e que te dê tempo razoável para refletir sobre o que você deseja para o seu parto.
Medite pela Manhã
Outra coisa que ajuda bastante é separar alguns minutos pela manhã, para fazer uma meditação. Isso ajuda a manter a saúde mental e a ter mais clareza de pensamentos, porque acredite, durante a gestação a nossa cabeça muda, nossos sentimentos ficam mais aflorados, nossa sensibilidade aumenta. E uma meditação nos ajudará neste equilíbrio.
Você não precisa fazer nada complexo. Sentar-se em silêncio, respirar profundamente e organizar os pensamentos já pode trazer benefícios importantes.
Veja Relatos de Parto
Comecei este artigo falando sobre relatos de parto. Mas a verdade é que eles nos ajudam muitíssimo.
É preciso ter sangue frio pra ouvir alguns? Sim, é! Mas se você tiver estômago pra escutar esses relatos traumáticos, pode aprender muito com eles e o risco de ser pega de surpresa é bem menor.
Escutar experiências reais ajuda a entender situações que podem acontecer durante o trabalho de parto e reduz a sensação de estar entrando em território desconhecido. Mas procure também relatos positivos. Muitas mulheres tiveram experiências maravilhosas e inspiradoras, e essas histórias merecem ser ouvidas tanto quanto as histórias difíceis.
Leia artigos e Veja vídeos sobre partos
Estude esses temas se você quer ter um trabalho de parto sem traumas:
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Fases do trabalho de parto e o que acontece em cada uma delas;
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Os principais procedimentos médicos realizados durante o parto;
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Os seus direitos como gestante e parturiente;
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As possíveis complicações e intervenções que podem surgir ao longo do processo;
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Os sinais de que está chegando a hora de ir para a maternidade;
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As alternativas para alívio da dor durante o trabalho de parto.
Quanto mais você entende o que está acontecendo com o seu corpo e com o seu bebê, menor é a sensação de estar perdendo o controle da situação.
A informação não elimina completamente os desafios do parto, mas permite que você enfrente cada etapa com mais consciência, tranquilidade e confiança nas decisões que precisar tomar.
Métodos Naturais Para Alívio da Dor
Algumas atitudes práticas podem facilitar e muito o seu trabalho de parto. Segue as que eu considero mais importantes:
Relaxamentos Progressivos de Jacobson
Nas últimas semanas de gestação e até mesmo durante os pródromos, a mulher tende a ficar mais ansiosa.O Relaxamento Progressivo de Jacobson é uma técnica simples que consiste em contrair e relaxar grupos musculares específicos do corpo. Além de reduzir a tensão física, essa prática ajuda a perceber quando estamos excessivamente contraídas, algo que pode aumentar a sensação de dor durante o trabalho de parto.
Aprenda esta técnica completa aqui.
Respiração em Tempos
É um método incrível que ajuda a proporcionar alívio da dor. Ele consiste em inspirar em 4 segundos, segurar a respiração por 4 segundos e expirar vocalizando a letra A em 4 segundos. Esse padrão ajuda a reduzir a ansiedade, melhora a oxigenação e favorece o relaxamento. Muitas mulheres utilizam técnicas semelhantes durante as contrações para manter o foco e o controle emocional.
Aprenda o método completo neste vídeo.
O Papel do Acompanhante Durante o Trabalho de Parto
Uma das decisões mais importantes durante a gestação é escolher quem estará ao seu lado durante o trabalho de parto. O acompanhante não serve apenas para oferecer apoio emocional. Ele também pode ajudar a lembrar suas preferências, transmitir informações à equipe e dar suporte em momentos de cansaço ou insegurança.
Assim ele pode te ajudar a ter um parto mais tranquilo e sem traumas.
Por isso, essa pessoa deve participar da preparação para o parto sempre que possível. É importante que ela conheça o seu plano de parto, entenda seus objetivos e esteja informada sobre possíveis intervenções médicas.
Em alguns momentos, quando a gestante está concentrada no trabalho de parto, o acompanhante pode se tornar sua principal voz dentro da maternidade. Quanto mais preparado ele estiver, mais segurança poderá transmitir.
Como Escolher uma Equipe que Respeite Seu Plano de Parto
Durante toda a minha jornada, percebi que informação é importante, mas não suficiente. A equipe que acompanha a gestante também faz toda a diferença.
Se o hospital não te oferece isso, procure uma equipe externa, mesmo que seja apenas a doula. Pode ter certeza de que você se sentirá muito segura. Se puder ter o acompanhamento de uma enfermeira obstetra, no meu caso ela fez total diferença.
Mas precisa ser uma equipe que esteja preparada e atualizada sobre os estudos mais recentes, uma equipe que preza pela saúde da gestante e da criança. Não tenha medo de perguntar:
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Qual é a taxa de cesáreas do profissional.
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Quantos VBACs ele já acompanhou (se for seu caso).
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Quais situações ele considera indicação real de cesariana.




