Todo mundo deseja viver em uma casa mais aconchegante, que nos traga um pouco de paz diante do cenário caótico em que estamos inseridos.
Lamentavelmente, todos nós perdemos, em maior ou menor grau, parte da nossa qualidade de vida. Em muitos aspectos, aquela sensação de estabilidade e tranquilidade desapareceu diante das mudanças frenéticas da modernidade, mudanças que impactam não apenas o cenário geopolítico e cultural, mas também as nossas próprias casas.
Somos engolidos e moldados todos os dias por essa avalanche de acontecimentos. Vivemos cercados por notícias, pressa, barulho, cobranças e estímulos constantes. Porém, uma das alternativas para construir uma vida melhor talvez seja adequar o pequeno mundo sobre o qual temos o real poder: o nosso lar.
Nós também somos culpados
Sem perceber, transformamos nossa casa apenas em um lugar funcional: um espaço para dormir, comer e resolver tarefas.
Mas precisamos urgentemente transformá-la num lugar de verdadeiro descanso e conforto, onde a gente deseja estar, onde possamos construir uma vida um pouco mais estável e perene, para nós e nossa família. Um lugar para trazer segurança emocional para as crianças e criar recordações mais felizes, como aquelas da nossa própria infância:
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O jardim com um pé de manga pra escalar e uma roseira bonita onde a gente insistia em espetar o dedo. Sim, aquele bonito jardim que hoje desapareceu das casas.
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A sala de estar onde havia um rádio velho pra gente escutar muita música, com uma estante cheia de bons livros e a televisão que só servia pra assistir tv globinho e não para nos deixar vidrados na tela o dia inteiro como ocorre com as crianças hoje.
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Uma cozinha com cheiro de bolinho de chuva feito na hora.
Talvez a gente não consiga controlar tudo o que acontece ao nosso redor. Mas podemos cuidar do nosso cantinho. E é justamente aí que começa a arte de deixar uma casa aconchegante.
Primeiro Problema: A Arquitetura
Grande parte das casas e apartamentos modernos já não são projetados para transmitir acolhimento. O cenário geralmente é este:
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Ambientes que se tornaram frios;
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Cômodos excessivamente funcionais;
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Iluminação artificial intensa;
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Espaços compactos;
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Falta de contato com elementos naturais;
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Excesso de superfícies frias;
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Banheiros e cozinhas extremamente pequenos;
Desde 2018 houve uma redução de pelo menos 12,75% na metragem média dos imóveis financiados. É o que revela este artigo publicado no jornal da USP.
Tudo isso junto, causa na gente uma sensação constante de cansaço e desconexão emocional. É por isso que ninguém mais gosta de ficar em casa.
Por esse motivo, criar um lar aconchegante muitas vezes exige esforço, mas um esforço prazeroso. Pequenas mudanças na iluminação, nas cores, nos tecidos, nos aromas e na organização dos ambientes podem transformar completamente a atmosfera da casa. É sobre isso que falaremos agora: como ter um olhar estético e sensível para decorar a casa de forma mais acolhedora com melhorias que você já pode fazer hoje mesmo.
A Iluminação Muda Completamente a Atmosfera da Casa
A primeira grande mudança que devemos fazer para ter um lar aconchegante e talvez a mais importante, é ajustar a iluminação.
Segundo este estudo do Prof. Me. Lotos Dias Medeiros e publicado pela Revista Belas Artes: “A luz e a cor podem produzir sensações distintas…É importante ressaltar que, o ser humano não enxerga com os olhos, e sim com o cérebro, o que afeta diretamente nas sensações e na forma como se deve projetar”.
Grande parte das casas modernas utilizam luzes excessivamente brancas e intensas. E Isso provoca:
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Mudanças no nosso humor;
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Aumento do nosso nível de ansiedade;
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Cria em nós uma sensação inconsciente de tensão e desconforto visual;
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Aumentam a sensação de urgência e alerta constante;
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Deixam o ambiente duro, chapado, sem contraste e profundidade;
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Evidencia excessivamente cada detalhe do ambiente, inclusive as imperfeições.
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Os ambientes ficam frios quase como escritórios ou hospitais.
Porém, depois de um dia inteiro cercado por estímulos e telas, o que menos precisamos é continuar vivendo sob uma iluminação agressiva.
Criando Uma Sensação de Acolhimento com Luz Quente
Por isso, use luzes amareladas para criar uma atmosfera muito mais acolhedora, pois elas lembram a luz natural do pôr do sol e ajudam o cérebro a desacelerar gradativamente.
Abajures, luminárias indiretas, pequenos pontos de luz e até velas aromáticas podem transformar completamente a sensação emocional dentro de casa.
Durante o dia, procure abrir as janelas e permitir a entrada de luz natural. Isso é essencial para criar uma casa mais viva e agradável. A luz do sol melhora o humor, reduz a sensação de cansaço e aproxima a casa de algo que infelizmente está desaparecendo dos ambientes modernos: a conexão com a natureza e com o ritmo natural da vida.
Pontos de Conforto Sensorial
Ao longo da casa, também precisamos criar pequenos pontos de conforto sensorial. Um lar acolhedor não é construído apenas pela estética, mas pelas sensações que ele desperta em quem vive ali.
Muitas vezes, aquilo que torna uma casa verdadeiramente agradável não é algo grandioso ou caro, mas pequenos detalhes que fazem o ambiente parecer mais humano.
Aromas Criam Memórias Afetivas
O cheiro da casa por exemplo, permanece na memória por muitos anos. Certos aromas conseguem nos transportar instantaneamente para momentos felizes da infância.
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O cheiro de café fresco;
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O bolo assando no forno;
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A roupa limpa no armário;
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A madeira dos móveis;
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A lavanda no banheiro;
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O perfume característico de alguém da família;
O cheiro tem um poder enorme de transformar a atmosfera emocional de um ambiente. Por isso, aromas suaves e agradáveis ajudam a casa a transmitir conforto, trazendo aquela sensação gostosa de pertencimento.
Tecidos Interessantes
Tecidos também influenciam diretamente a forma como sentimos um ambiente:
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Um tapete bonito e confortável transforma a sala de estar ou o chão do quarto.
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Os lençois podem nos fazer ter uma noite de sono melhor se forem de tecidos com fibra natural e gramatura maior.
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Os travesseiros e almofadas também precisam ser levados em conta
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Cortinas leves e fluidas dão um toque de aconchego para as paredes com janelas e filtram lindamente a iluminação externa, trazendo pra casa um clima cinematográfico.
O Que Entra Pelos Ouvidos, Também Te Afeta
Os sons da casa também participam da sensação de aconchego. E só de fazermos os ajustes acima já teremos pessoas, principalmente crianças, menos descontroladas dentro de casa.
Mas também é importante tomar outras atitudes, para deixar o nosso lar com maior conforto sonoro.
Nada de TV ligada em toda altura o tempo inteiro, passando uma programação ruim, só porque você não quer se deparar com o silêncio.
Saiba que há outras formas de lidar com esse vazio, sem precisar se render à programação de péssimo gosto das mídias de massa ou das redes sociais.
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Uma música suave ao fundo. Confira esta playlist.
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O barulho da chuva entrando pela janela
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O som da cozinha em pleno funcionamento
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O silêncio tranquilo de um fim de tarde
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Uma boa conversa na hora do jantar
O Silêncio Não Precisa Ser Ensurdecedor
Antigamente, muitas famílias tinham o hábito de ouvir ou tocar música juntas, conversar na sala, permanecer próximas umas das outras sem a necessidade de outros estímulos. Tudo isso traz aconchego. Me lembro ainda hoje de uma linda noite de lua cheia, a energia elétrica havia acabado, então fomos pro quintal, com uma mesa e alguns aperitivos, lá nós cantamos e jogamos conversa fora. Esse tipo de coisa fazia a gente se sentir parte da família de verdade.
Talvez parte da sensação de vazio das casas modernas venha justamente da perda desses pequenos momentos cotidianos.
Objetos Contam História
Se as pessoas soubessem o quanto os objetos dentro de casa, influenciam o nosso comportamento, talvez passassem a olhar para eles com maior atenção. Objetos decorativos não servem apenas para “preencher espaços”, nossa casa definitivamente não precisa ter cara de museu modernista, cheia de obras vazias e sem sentido.
Portanto, escolha muito bem:
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Os móveis
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Os vasos
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Os livros
E principalmente:
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Os quadros
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As esculturas
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E as fotografias.
São esses três últimos que contarão a sua história, ou representarão a sua fé em Deus, ou demonstrarão a cultura de outros povos cuja história nos afeiçoamos de alguma forma e que afetará positiva ou negativamente a formação dos nossos filhos.
Em muitas casas antigas, era comum encontrar porta-retratos e álbuns que ajudavam as crianças a crescer revisitando a herança visual que a família deixou nas fotografias. Mas em contrapartida, hoje, grande parte das nossas memórias permanecem esquecidas dentro do celular.
Porque não, imprimir fotografias e devolvê-las às paredes? Talvez isso também devolva um pouco mais de humanidade aos ambientes e às próprias pessoas.
Cores que alegram a alma
Você nem percebeu, mas seu gosto foi sendo moldado por artistas e influencers famosos que rasgam dinheiro lançando tendência atrás de tendência. E as cores das nossas casas estão entre as coisas que mais sofreram com essas mudanças.
Os ambientes foram ficando acinzentados e opacos.E não foi só as pareces que ganharam tons de bege, branco, cinza e preto, mas os objetos decorativos e os móveis também. Assim, a alegria da casa desaparece. O aconchego vai embora.
Isso não significa que tons neutros sejam necessariamente ruins. Eles precisam ser associados a:
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Contrastes
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Texturas (papel de parede e tecidos – já falamos deles)
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Cores naturais
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Estampas mais vivas e cheias de personalidade.
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Objetos artesanais
E vale lembrar que em psicologia das cores, podemos encontrar boas referências sobre o tipo de sensação que cada cor provoca em nós.
Segundo este artigo publicado pela PUC:
“As cores estão presentes em todos os aspectos da vida cotidiana e exercem influência sobre as emoções, os comportamentos e as percepções de forma muitas vezes sutil e inconsciente”.
Use sem medo:
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Tons terrosos trazem sensação de estabilidade;
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Verdes aproximam a casa da natureza e saúde;
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Amarelos suaves transmitem acolhimento.
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Azuis claros criam sensação de calma.
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Lilás, inspira criatividade
Use com moderação:
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Laranja e vermelho, pois criam uma sensação de urgência, fome e alerta, mas que detalhes trazem bastante personalidade e vida ao ambiente.
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Cinza: deixa o ambiente opaco e institucional. Ele precisa de cores mais vivas para não deixar o ambiente morto;
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Preto puro: pode deixar o ambiente sombrio e pesado. Mas se usado com inteligência, pode deixar o ambiente com uma sofisticação única.
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Branco puro: O branco traz bastante leveza ao ambiente, mas pede muito mais atenção aos detalhes. Ele pode ser uma ótima tela em branco para se tornar uma belíssima obra de arte, se você tiver um bom senso estético. Mas se você não estiver habituado a decorar ambientes, ele pode cair no mesmo erro do cinza: sem impessoal.




